Card-Sort

Taxonomia de varejo: não é taxidermia e é importante

por Season Hughes, para Bloomreach.com

I-love-TaxonomySe você quer vender produtos online, você deveria nomeá-los corretamente e colocá-los nas categorias corretas.

Isso é taxonomia, pura e simples.

Taxonomia é a classificação de dados – e de dados sobre dados (ou metadados). A taxonomia determina como algo deve ser chamado (“vestido”), sua categoria (Moda Feminina > Vestidos), seus atributos (“verde”, “de renda”) e os tipos de atributos (cores, materiais). Boas taxonomias são informadas pelo comportamento dos usuários (Tipo de atributo no Brasil: jeans, Tipo de atributo em Portugal: ganga) e encompassam todos os produtos disponíveis de modo que o cliente possa navegar até o produto desejado com o mínimo de cliques possíveis.

“Mas por que ter uma taxonomia quando você pode só usar a busca?” como taxonomista, eu ouço muito isso. Junto com as pessoas me pedindo pra declarar seu imposto de renda.

E a resposta é: se você não tem a informação correta em primeiro lugar, a sua busca não funcionará. Se você tem um cliente pesquisando em Répteis por uma lâmpada de terrário, mas o produto está em Comida para Cavalo, esse cliente sairá de mãos vazias, você perderá essa venda e provavelmente a confiança do cliente.

Várias companhias, de varejistas de e-commerce à agências de imagens, reconhecem a importância de uma taxonomia boa e limpa e tem taxonomistas dedicados em sua equipe para resolver estes problemas (a Bloomreach é uma destas companhias). Estes taxonomistas geralmente tem graduações em biblioteconomia ou ciência da informação com cursos relacionados em pesquisa, classificação e linguística. (leia sobre o perfil da Season Hughes aqui.)

Mas e se você não tiver tais fontes dedicadas? E se a taxonomia só for um projeto paralelo adicionado às suas responsabilidades diárias sem nenhum treinamento ou tempo à mais? Por onde você começa?

No Taxonomy Bootcamp, uma conferência anual que acontece em Washington D.C., onde taxonomistas se reunem e fazem piadas sobre taxidermia e onde profissionais da informação compartilham suas abordagens com um vasto número de desafios de taxonomia, desde criar um portal médico para o diagnóstico de doenças até reformular um website de biblioteca de alguma universidade da Ivy League, e construir um site com “tudo sobre Simpsons (este último é o Simpsons World e foi construído inteiramente a partir de informações obtidas em material impresso.)

Algumas diretrizes gerais emergiram a partir do trabalho destes taxonomistas:

  • Engaje as pessoas. Pode não parecer o mais glamuroso dos empreendimentos, mas sua taxonomia pode levar diretamente ao aumento de tráfego e vendas – quando as pessoas conseguem encontrar produtos mais rapidamente, eles comprarão mais e continuarão retornando. Tenha certeza que as pessoas na sua companhia saibam o quanto a taxonomia os beneficia. Elas vão te apoiar mais e você se sentirá menos solitário na sua busca.  
  • Identifique seus usuários. As taxonomias deveriam ser construídas para os usuários. Tenha certeza de que você sabe quem eles são e como eles irão usar sua taxonomia. Tire um tempo para conversar com eles, para observá-los utilizando o que você tem por hora, para perguntar para eles o que eles gostam e não gostam e como o sistema ideal deles funcionaria.
  • Conheça seu conteúdo. Tenha uma ideia sobre os dados com os quais você está trabalhando e como eles são estruturados. É por escrito ou apenas conhecimento tribal? Ocorre em diversos canais ou todos em um lugar só? Isso também o ajudará a estimar o tamanho de seu projeto e comprometimento de tempo.  
  • Taxonomize. Essa palavra não existe, mas descreve a fase em que você efetivamente começa a construir uma taxonomia. Nós taxonomistas somos fãs de um sistema altamente analógico para mantermos nossa casa digital em ordem. É também conhecido como “card sorting”, onde você escreve os termos em cartões e os classifica a partir do conceito mais amplo para o mais restrito (ou qualquer categorização que seja melhor para o usuário final – sempre o usuário primeiro!). A partir daí você pode construir uma taxonomia para apresentar aos usuários finais e observar o comportamento deles. Inevitavelmente, eles irão interagir com a sua taxonomia de formas completamente inesperadas. Resista à vontade de dizer “você não está fazendo direito” e corrigir o comportamento. Ao invés disso, lembre-se de que uma boa taxonomia é construída para o usuário e não o contrário disso e ajuste seu trabalho de acordo com isso.
  • Governe. Uma vez tendo construído e testado sua taxonomia e chegado em uma que se adapta às necessidades dos seus usuários, você precisará de um jeito de manter o trabalho. Um mito comum sobre taxonomias é o de que elas são estáticas: construa elas uma vez e terminou. Na verdade, taxonomias estão constantemente mudando, especialmente no varejo. Conceitos que não existiam há um ano atrás, hoje podem ser mais comumente utilizado e eles precisarão de um nome, uma categoria e alguns atributos. Veja: bastões de selfie.

Essas diretrizes básicas te darão uma ideia de como começar seus empreendimentos taxonômicos. Você achará várias ferramentas para te ajudar no caminho, incluindo templates de classificação, softwares de gestão de bases de dados, auto-tagueadores e mais. Se você se impressionar bastante com as possibilidades e quiser aprender mais sobre o mundo fascinante da taxonomia, “The Accidental Taxonomist” é uma excelente leitura para o profissional da informação que quer se desenvolver.

Boa sorte e feliz taxonomização!

Fotos por Season Hughes tiradas no Taxonomy Bootcamp de 2015.

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